Moradora de Pinhais ganha maior prêmio de ilustração botânica do mundo
Em um ateliê de uma residência no Centro de Pinhais são produzidas algumas das melhores ilustrações botânicas do mundo. O reconhecimento é oficial: a Linnean Society of London, a mais antiga sociedade científica do mundo dedicada à história natural, condecorou a artista Diana Carneiro com o Jill Smythies Award 2026, considerado um “Oscar” da área. A premiação aconteceu no fim de maio e coroou uma carreira recente, iniciada após Diana acumular 25 anos como professora de Ciências e Biologia na rede pública do estado do Paraná, dos quais 12 no Colégio Estadual Arnaldo Busato.
Quem estudou com ela no Arnaldo pode se lembrar dos desenhos caprichados na lousa, que os outros professores evitavam apagar em respeito ao belo trabalho. Ela também foi uma das fundadoras do renomado Clube de Ciências, Letras e Artes dos colégios paranaenses no início dos anos 1980, em companhia do marido, Hélio Marques, que foi professor de Física no Arnaldo.
Atualmente, Diana participa de um grupo de pesquisadores que está fazendo o levantamento florístico em campos de Pinhais, juntamente com um grupo de pesquisadores da UFPR e demais colegas e alunos do Centro de Ilustração Botânica do Paraná (CIBP). Ela se formou em Ciências Biológicas (licenciatura) pela UFPR em 1968. Em 1992, concluiu o Bacharelado em Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. No mesmo ano, ao se aposentar da sala de aula, decidiu se dedicar à ilustração botânica. Graças a um prêmio concedido pela Fundação Botânica Margaret Mee (RJ), ganhou bolsa para uma especialização de cinco meses no Royal Botanic Gardens na Inglaterra, em 1997.
Quando retornou ao Brasil, dedicou-se exclusivamente à carreira de ilustradora botânica, retratando, na maioria das vezes, espécimes da Floresta Atlântica, atendendo a demanda da área acadêmica do Brasil e do exterior. Para retratar as plantas da forma mais fidedigna possível, ela geralmente recebe um material prensado e desidratado dos vegetais em estudo, denominadas tecnicamente ‘exsicatas’. Em outras palavras, este material representa uma amostra da planta (ou parte dela) com os elementos necessários para a identificação da espécie.
Segundo Diana, o mais importante no trabalho que faz é o compromisso com a morfologia vegetal, e não somente com a parte estética da planta. Algumas exsicatas provém de outros estados e biomas, como, por exemplo da Chapada Diamantina, perto de Guanambi (Bahia), onde nasceu. Em alguns casos, quando o material é proveniente de outros países, ela recebe imagens fotográficas das exsicatas originais. “Somente após a elaboração do desenho o pesquisador botânico irá formatar o texto descritivo da espécie, necessário para o registro e publicação em boletim técnico científico de sua área. Esta é a verdadeira finalidade do trabalho do ilustrador científico”, explica.
A despeito do detalhamento científico das obras de Diana – ou justamente por isso – as ilustrações, feitas a bico de pena e também na técnica de aquarela, encantam os olhos. O conjunto da obra lhe permitiu receber o prêmio Jill Smythies da prestigiada Sociedade Lineana de Londres (tradução em inglês), a mesma instituição na qual foi apresentado o livro “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, nos idos de 1859. Ela foi indicada ao prêmio por colegas da área, admiradores do traço delicado e detalhado. Convocada, enviou publicações e exemplares de suas obras, que preenchem centenas de páginas em livros técnicos e artísticos de vários lugares do mundo.
Diana compartilha o conhecimento em cursos promovidos pelo CIBP e também pelo livro de sua autoria, “Ilustração Botânica: Princípios e Métodos”, da Editora UFPR. Tem atuação em outras frentes, como livros infanto-juvenis, didáticos e materiais de divulgação científica, como cartazes e guias de campo.
Serviço
O trabalho da artista Diana Carneiro pode ser apreciado no site pessoal: https://www.dianacarneiro.com.br/


