UFPR hospeda nova Rede de Pesquisa sobre sobreviventes de câncer, a ReCANCER

Por Redação 5 min de leitura

Grupo de pesquisa reúne pesquisadores de 12 instituições nacionais e globais para o fomento à pesquisas e ações direcionadas aos cuidados de sobreviventes do câncer.

Os cuidados contra o câncer não param quando o diagnóstico de remissão chega ao paciente. Seja ele parcial ou total, é preciso uma série de cuidados e precauções durante o período remissivo, voltados tanto para os efeitos físicos quanto os psicológicos que vêm acompanhados da doença. E foi pela observação da alta porcentagem de sobreviventes jovens de câncer de mama, ou seja, aquelas que ainda irão conviver por muito tempo com a doença, que surgiu a Rede de Pesquisa em Cuidados e Qualidade de Vida de Sobreviventes de Câncer (ReCANCER).

“No câncer temos muitas vertentes de cuidado, principalmente para quem recebeu o diagnóstico e está realizando o tratamento. Porém, os sobreviventes, muitas vezes, ainda sofrem com o estigma da doença, ainda têm efeitos adversos do diagnóstico e dos tratamentos que utilizaram. Há uma lacuna de cuidado voltado a esta população”, explica Luciana Puchalski Kalinke, coordenadora-geral da ReCANCER.

O grupo de pesquisa nasceu com o propósito de divulgar materiais informativos, educativos, de serviço e formas de terapia não farmacológicas em linguagem acessível para pessoas sobreviventes de câncer. Hoje, esses conteúdos estão organizados no portal da ReCANCER. Além disso, o projeto assume o papel de uma rede de pesquisa tradicional, ao promover estudos colaborativos que resultam em ações de cuidado capazes de melhorar a qualidade de vida dos sobreviventes de câncer em todos os âmbitos da saúde, considerando as dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais dos indivíduos da comunidade.

Atualmente, são 21 pesquisadores atuando de forma direta com a Rede, incluindo membros discentes, distribuídos entre quatro países (Brasil, Colômbia, Itália e Portugal), oito estados brasileiros (Bahia, Ceará, Pará, Paraná, Santa Catarina e São Paulo) e 12 instituições de ensino e/ou pesquisa nacionais e internacionais. Entre os Grupos de Trabalho (GTs) da ReCANCER, as pesquisas são distribuídas em: “cuidado integral e qualidade de vida em sobreviventes com câncer”; “tecnologias em saúde aplicadas à sobrevivência”; “aspectos legais, sociais e políticas públicas”; “educação e formação profissional”; e, “expansão para diferentes tipo de câncer”.

A diversidade de pesquisadores de diferentes contextos, regiões e linhas de pesquisa é essencial para suprir a lacuna de produção científica e de ações concretas para esse grupo de pessoas, diz Luciana Kalinke: “Com pesquisadores que vivenciam realidades diferentes, poderemos traçar o perfil destes sobreviventes e desenvolver ações voltadas às necessidades desta população”.

A motivação para a Rede de Pesquisa

O lançamento da Rede de Pesquisa em Cuidados e Qualidade de Vida de Sobreviventes de Câncer aconteceu em maio deste ano. Dois meses depois, a rede já está certificada e qualificada como Grupo de Pesquisa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O nascimento do projeto se mistura com a trajetória acadêmica e profissional da fundadora e coordenadora da Rede, Luciana Kalinke. A docente do Curso de Enfermagem dedica suas pesquisas ao câncer desde 1996, além de já ter atuado por 14 anos no Hospital de Câncer de Curitiba e há 15 anos promover pesquisas sobre pacientes com câncer na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O seu percurso consistente na área foi um diferencial para a prospecção e união dos demais pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e do mundo.

Desde o princípio, também foi uma prioridade para a ReCANCER o alinhamento com planejamentos estratégicos de instituições e metas nacionais e internacionais, entre eles: o Plano de Ação Global da OMS (2013-2030); a Agenda de Prioridades de Pesquisa do Ministério da Saúde (APPMS); a Agência Internacional de para Pesquisas sobre Câncer da OMS; a Portaria MCTI nº 6998/2023 no eixo saúde, biotecnologia e transformação digital; a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer; e, por fim, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial os objetivos 3, 4, 9 e 17 (“Saúde e Bem-estar”, “Educação de qualidade”, “Indústria, Inovação e Infraestrutura” e “Parcerias e Meios de Implementação”, respectivamente).

Com um pontapé bem estruturado, para os próximos meses e anos de projeto, Luciana Kalinke afirma que o desejo é de continuar expandindo a equipe da ReCANCER e as ações voltadas aos sobreviventes de câncer, incluindo eventos científicos voltados à discussão da temática. Além disso, nessa fase inicial, a presença da Rede em congressos, seminários e outros debates acadêmicos é essencial para o fortalecimento do grupo. Em outubro, a ReCANCER participa do International Meeting in Oncology Nursing (IMON), o maior evento de Enfermagem Oncológica do Brasil. Por João Cordeiro /  Luana Lopes / UFPR.

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