Projeto de dermatologistas capacita quase 300 médicos e se aproxima de 100 cirurgias gratuitas de câncer de pele
Algumas iniciativas crescem pelo faturamento. Outras se tornam grandes pelo que devolvem à sociedade. É nessa segunda categoria que se insere o Clube Cirurgia Dermatológica, projeto liderado pelos dermatologistas Dr. Matheus Rocha e Dra. Bruna Afonso, que une formação prática para médicos e atendimento gratuito a pacientes com câncer de pele sem condições de pagar pelo tratamento ou de esperar pela rede pública.
A proposta nasceu para qualificar o médico e garantir o acesso rápido ao paciente, algo que nem sempre acontece no mesmo compasso. De um lado, o projeto oferece educação continuada em cirurgia dermatológica, com aulas, discussão de casos e mentoria prática. Além disso, parte do trabalho se converte em atendimento real, com cirurgias realizadas dentro da própria estrutura do projeto.
No Brasil, esse tipo de solução ganha peso porque o câncer de pele responde por cerca de 30% dos tumores malignos registrados, segundo o Ministério da Saúde. Quando uma lesão suspeita demora a ser avaliada, o tratamento pode ficar mais complexo, com maior risco de sequelas e necessidade de procedimentos mais extensos.
À frente da iniciativa estão o Dr. Matheus Rocha e a Dra. Bruna Afonso, dermatologistas com atuação em cirurgia dermatológica e câncer de pele. Além da prática clínica, eles também trabalham na formação de médicos que atendem pacientes com lesões de pele, o que ajuda a explicar por que o projeto foi desenhado para ir além de um curso de extensão tradicional.
“Nosso objetivo é capacitar o médico para identificar a lesão de câncer de pele, propor o tratamento mais adequado e executar esse tratamento da forma correta, principalmente dentro da cirurgia dermatológica. O impacto disso é conseguir tratar o paciente com maior chance de cura, sem complicações, sem morbidade e sem mutilações desnecessárias”, afirma Rocha.
Desde a criação do projeto, quase 300 médicos já passaram por alguma etapa da formação. Cerca de 200 tiveram acesso à plataforma com aulas e conteúdos, enquanto entre 100 e 150 participaram da mentoria mais próxima, com discussão mais direta de casos e entrega prática. Os fundadores não têm uma medição fechada do alcance indiretamente da metodologia sobre os pacientes atendidos pelos médicos que passaram pelo programa. A estimativa é que haja centenas, possivelmente milhares de pessoas, mas o dado de que a iniciativa consegue acompanhar diretamente está nas cirurgias realizadas pelo próprio projeto.
Na assistência direta, o projeto também acumula resultados. Segundo Rocha e Bruna Afonso, o Clube se aproxima de 100 cirurgias para tratamento de câncer de pele. O total não equivale necessariamente a 100 pacientes, já que uma única pessoa pode apresentar mais de uma lesão. Ainda assim, o número representa coleções de pacientes que tiveram acesso à cirurgia sem custo, em uma etapa que pode ser decisiva para o tratamento da doença.
“O conteúdo não encerra o processo. Quando o médico discute casos e ganha segurança para indicar e realizar um procedimento, isso chega ao paciente por meio de uma conduta mais precisa. Quando uma cirurgia ocorre dentro do projeto, o impacto é ainda mais direto, porque consegue diminuir uma barreira de acesso ao tratamento”, afirma a Dra. Bruna Afonso.
O modelo chama atenção por criar uma engenharia de duplo efeito. A primeira é a formação de profissionais para identificar e tratar o câncer de pele de forma mais segura. A segunda é a conversão de parte da receita e da estrutura do projeto em atendimento para pacientes que não conseguem custear o procedimento. Num setor em que velocidade, resultados e acesso fazem diferença no desenvolvimento clínico, essa combinação ajuda a explicar por que a iniciativa ganha cada vez mais espaço.
A história também ilustra uma tendência observada no empreendedorismo em saúde: negócios especializados que buscam alcançar sustentabilidade financeira e impacto mensurável. Em vez de limitar a formação ao ambiente digital ou à sala de aula, o projeto cria uma cadeia em que a capacitação de médicos e a assistência ao paciente fazem parte da mesma estrutura.
“A formação médica tem valor por si só, mas pode produzir um efeito ainda maior quando se converte em acesso. A ideia é encurtar caminhos: dar mais segurança ao médico e aumentar a possibilidade do paciente ser tratado no momento em que precisa”, diz Dra. Bruna Afonso.
A relevância do tema também é a natureza silenciosa do câncer de pele, que muitas vezes começa com lesões discretas. Pintas que mudam de cor, feridas que não cicatrizam, crostas que voltam e manchas que crescem merecem atenção. Em um cenário de alta incidência da doença, iniciativas que combinam formação técnica, acesso ao cuidado e impacto social tendem a ganhar espaço.
“Algumas empresas crescem pelos números que fecham no fim do mês. Outras se tornam grandes pelo que fornecem retorno à sociedade. Na saúde, quando isso acontece com consistência, o impacto costuma ser duradouro”, afirma o Dr. Matheus.
![]() Sobre o Dr. Matheus Rocha e a Dra. Bruna Afonso Dermatologistas com atuação em cirurgia dermatológica e tratamento do câncer de pele. Dedicam sua prática clínica ao diagnóstico precoce, planejamento cirúrgico e manejo de tumores cutâneos, com foco em dermato-oncologia. Além do atendimento a pacientes, atua na formação de médicos e cirurgiões dermatológicos, contribuindo para a ampliação do diagnóstico adequado da doença. Parte de sua atuação inclui atendimento gratuito a pessoas com câncer de pele que não possuem condições financeiras ou que não conseguem aguardar a fila do sistema público de saúde. |



