“Memórias em prosa de uma Piraquara do século passado: capricho do tempo”

O tempo, tá bom ou tá ruim? Dá pescaria ou roça? Pelas contas da lua ou pela “folhinha”? Voou ou chega setembro mas não acaba agosto! Conjugado pelo pretérito ou futuro pelas cartas? O que era instante já foi, passa, não importa; Psicológico ou linear; o tempo anda. Em suas pegadas fortes e notáveis deixa marcas! Nas percas doídas, no passado que visita, na saudade que afaga, nas raladas da infância, nos calos da idade, no fracasso de ontem, na esperança do amanhã! Um dia 10 anos, noutro 30, hoje 60!

Aquela turma 11 que corria pelos campos e arbustos de um Romário sem muro, dado o intervalo subiam suas escadas suados, na adrenalina, camisa branca empoeirada, carrapichos no cabelo, barro nos Kichute, desatentos na chamada, dispersos no conteúdo, “gizada” para prestar a atenção. Na rotina letiva, mesmo nas matinas mais geladas, na espera de companhia, rumavam em grupos rumo ao ginásio, tempo para colocar em pauta o bebê de proveta que passou no Fantástico, que Coutinho foi preso na Argentina por levar “droga” na copa do Mundo de 78; e assim surgiu os primeiros fakes; angariar umas figurinhas e cambiar uns gibis.

Terminada as aulas, para uns o expediente era na fábrica de pipoca Catitas, fábrica de gaiola do Júlio Ikonte, na horta familiar, no comércio local; para outros nadar, caçar passarinho, pelada no campo do Raul ou do Zika. Para os oreiúdo a “lição” era na casa do amigo Nérd. Na rua Guabirobeira tinha um. Bom em matemática, monstro nas equações. Levei prá vida, levei como irmão, presente Haroldo César! Turma 11, na lista de chamada do tempo, sessentões. Outros atemporal, eternizados nas lúdicas lembranças dos mais afoitos foram brincar em outras veredas.

Emma, representando o “Arranca Toco futebol clube”, nossa turma, aquela geração, feliz 60 anos meu bom velhinho!


por Edson Francisco de Arruda

Compartilhe este artigo!