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“Memórias em prosa de uma Piraquara do século passado: breve conto de Natal”
A casa com a parede sem recuo tendo a calçada e o meio fio como extensão frontal do terreno. Na varanda, o cartão de visita a vistosa parreira e seus cachos dividindo os seus encantos com os “mosquitinhos”, dente de leão e algumas ervas plantadas no canteiro que dá vida ao muro da área de acesso do portão até a porta da cozinha. No quintal o galinheiro, a horta, e de setembro a dezembro o improvisado chiqueiro para a engorda do porco pro final de ano.
As “frutas estação”, prenúncio do verão, vinham das pereiras; “das duras” às peras d’água; uvas, araçás, gabirobeiras e pêssegos reciprocamente dividido entre vizinhos. É Dezembro chegando!
Manoel e Romário entram em férias letiva; a Matriz com o Advento começa os preparativos litúrgicos para o Natal; o Papai Noel no posto de Puericultura distribui bolas e bonecas prá criançada; a banda do seu Attilio toca cantigas Natalina no Coreto; a migração prá Curitiba prá ver o presépio mecanizado das lojas H M movimenta a estação.
Na casa o porco foi golpeado, chouriço pro café e pernil pro almoço. O pepino em conserva com folha de parreira já está com a “nata” no ponto. A mesa grande se apequena com a chegada dos filhos e netos para o almoço de Natal. A maionese caseira da vovó fica no preparo das tia.
Servido o almoço, a tarde segue: na garagem truco, na sala dança na sanfona do Mestre, na cozinha o cheirinho do café.
A noitinha vai caindo e a primarada na energia da infância aproveitam prá brincar de esconde esconde. Nesse corre corre a horta vira pista e os canteiros lamentam por suas hortaliças, o chiqueiro fica disputado e as peras ao chão entregam os peraltas em suas copas.
Com o tempo a mesa encolheu, o pepino da Nona acabou, a sanfona se calou, os tios se foram.
Ficou o Natal, resgatando lembranças, renovando esperanças!
Por Edson Francisco de Arruda