Dia de Combate ao Feminicídio tem caminhada cancelada mas reflexão permanece
A 4ª Caminhada do Meio-Dia pela Vida e pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, que seria realizada nesta quarta-feira (22), foi cancelada devido à chuva. Embora o ato público não seja possível nas ruas, a Prefeitura de Pinhais convida homens e mulheres à reflexão neste Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A data representa um gesto simbólico e coletivo de repúdio à violência, reafirmando o compromisso com o respeito, a igualdade e a valorização da vida.
Instituído pelo Código da Mulher Paranaense e oficializado pela Lei Estadual nº 21.926/2024, o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio relembra a advogada Tatiane Spitzner, vítima de feminicídio em 2018, e reforça a importância da prevenção e do enfrentamento à violência contra as mulheres.
O feminicídio, no Brasil, é reconhecido como crime hediondo desde 2015, com a sanção da Lei nº 13.104. Essa realidade também atinge Pinhais: desde a criminalização do feminicídio, pelo menos cinco mulheres tiveram suas vidas interrompidas por esse tipo de violência: Valdinéia Soares Pereira (37 anos) em 2020; Letícia Stefani Inácio Raimundo (24 anos) em 2021; Franciele Gusso Rigoni (36 anos) em 2023; Crislaine Matozo de Barros (32 anos) em 2024; e Jenyffer Soares Brau Kruczkievicz Gardini (20 anos) em 2025.
“Cada uma dessas vidas interrompidas nos lembra que o silêncio não é uma opção. É por isso que refletimos hoje, para reafirmar nosso compromisso com a prevenção, a proteção e o enfrentamento à violência contra a mulher”, afirma a secretária de Assistência Social, Andrea Franceschini.
A violência em números
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, a violência de gênero no Brasil segue em trajetória de alta e atingiu um recorde histórico em 2025, projetando um cenário igualmente alarmante para 2026. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, com base nos dados mais recentes, revela:
- Recorde em 2025: o Brasil registrou cerca de 1.470 casos de feminicídio em 2025 — o maior número desde a tipificação do crime, em 2015, superando os registros de 2024.
- Quatro mulheres mortas por dia: a média é brutal: quatro mulheres assassinadas diariamente por motivação de gênero, evidenciando o crescimento contínuo da violência ano após ano.
- 2026 começa com mais violência: o início de 2026 já apresenta novos casos e denúncias, confirmando a persistência do problema.
- Uma década de mortes: entre 2015 e 2025, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas no Brasil em crimes de feminicídio.
Apesar do endurecimento das penas, que hoje podem chegar a 40 anos de prisão, os números deixam claro: punição isolada não basta para enfrentar uma violência que é estrutural, cultural e profundamente desigual.
Enfrentamento
Toda forma de violência contra a mulher é uma violação dos direitos humanos e precisa ser enfrentada. A violência física, psicológica, moral, patrimonial e sexual deixa marcas profundas e não pode ser naturalizada nem silenciada.
Em Pinhais, as mulheres contam com uma rede de proteção e acolhimento, com o atendimento especializado do Centro de Referência Maria da Penha e o apoio da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, reforçando o compromisso do município com o enfrentamento à violência e a defesa dos direitos das mulheres. Contatos: (41) 99226-0692, Guarda Municipal: 153 ou App 153 Cidadão.
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, saiba que há ajuda.
Ligue 180 Central de Atendimento à Mulher ou em caso de emergência, ligue 190.
Romper o silêncio é o primeiro passo para salvar vidas.


