Memórias em prosa das Copas do século passado!

Por Redação 2 min de leitura

É tempo de Copa, o planeta é uma bola quicando nas linhas imaginárias do globo e na mente. A bola que rola no hemisfério norte chega na palma da mão no campo da tela do celular. Soberana, domina a guerra, a política e até a filosofia. Os bolão de buteco e no trabalho deram vez às famintas bet’s, e o que um dia foi palpite virou balcão de negócios.
Tenho algumas copas contabilizadas no inventário da vida, porém as vivenciadas na infância foram as melhores. O rádio levava o campo na imaginação, a narração fazia a mente desenhar o lance, o gol dividia emoções de alegria e frustração. A TV preto e branco com suas válvulas a aquecer levava o campo na sala. As salas em estádio. TV era prá poucos. A vizinhança se juntava e as janelas viravam geral. Quatro malas escolar distribuídas nos campos; a cidade foi um campo; eram as traves e pequenos Pelé, Rivelino e Tostão faziam a copa acontecer.
Os jogadores se conheciam nos álbuns de figurinha, no jogo de bafo e no colar com “cola de trigo”, e o álbum crescia, fermentava e virava pão.
Copa de 78, a primeira camisa da seleção. No escudo CBD, precursora da CBF, presente do Frei Elzeário Schmidt aos Coroinhas que ajudavam nas missas. Campeã moral na Agentina, os 6 a zero dos Hermanos no Peru ainda insistem nas lembranças.
82, a mais doída! Zico, Falcão, Sócrates e Toninho Cerezo em seus pés a bola era poesia, que Paolo Rossi, como numa ópera a transformou numa ária trágica.
A última da fase lúdica, da imaginação, do Kichute correndo pelos campos!
A seleção Canarinho não voa e não canta como outrora, direto de nossos clubes. Migram de outros Continentes, em outras línguas. Quem sabe numa dessas o Hino final seja em Português, não os dos Gajos, e sim Tupiniquim.

Por Edson Francisco ¨Kalunga¨de Arruda.

Gostou? Compartilhe!