Pesquisa da UFPR identifica alterações genéticas e contribui para a definição do tratamento de leucemia

Por Redação 3 min de leitura

Vinculada ao Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a pesquisa “Desenvolvimento de kit molecular para detecção dos principais marcadores de impacto clínico em pacientes com leucemia linfoide aguda” teve início em 2020, em parceria com o Hospital Erastinho. O estudo analisa alterações genéticas em células leucêmicas por meio de testes laboratoriais especializados, contribuindo para o diagnóstico preciso, a avaliação do quadro clínico e a definição do tratamento mais adequado para pacientes pediátricos.

Os resultados obtidos até aqui indicam potencial para a redução de custos dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e para a ampliação do acesso a exames fundamentais no tratamento da doença. “Os testes laboratoriais já demonstram alta eficiência na detecção dessas alterações genéticas. Mesmo com ajustes de quantidade e combinações para redução de custos, os resultados permanecem consistentes, reforçando o potencial do kit como uma solução acessível e padronizada para todo o país”, afirma a coordenadora da pesquisa, professora Jaqueline Carvalho de Oliveira.

Segundo Oliveira, a leucemia linfoide aguda (LLA) é o câncer mais comum na infância, com maior incidência entre crianças de 2 a 9 anos. “Não existe uma única causa definida. O que se sabe é que fatores hereditários e também alguns fatores ambientais, presentes durante o período intrauterino ou nos primeiros anos de vida, podem estar envolvidos”, explica.

Esse tipo de câncer afeta os linfócitos, células de defesa do organismo, provocando o aumento descontrolado de linfoblastos, que passam a substituir as células sanguíneas saudáveis. Entre os sintomas mais comuns estão palidez, fraqueza, falta de apetite, dor óssea e cansaço incomum. Em estágios mais avançados, podem surgir ínguas no pescoço, axilas e abdômen, além de manchas roxas pelo corpo e alterações visuais.

Atualmente, o diagnóstico da LLA é realizado por meio de exames como o hemograma; a imunofenotipagem, que analisa amostras de sangue, medula óssea ou tecidos; e a citogenética, responsável pela avaliação dos cromossomos das células leucêmicas.

Tratamento da leucemia linfoide aguda

A quimioterapia constitui a principal abordagem terapêutica contra a leucemia linfoide aguda, realizada em ciclos intercalados por períodos de descanso. Em situações específicas, também são adotadas terapias direcionadas ou o transplante de medula óssea.

“Nosso propósito é gerar resultados que ajudem o médico a indicar tratamentos mais eficientes e, ao mesmo tempo, diminuir os efeitos colaterais a longo prazo, trazendo benefícios concretos para a saúde das crianças e para o sistema público de saúde”, destaca a coordenadora.

O estudo conta com a participação de profissionais e instituições parceiras no Paraná e em outras regiões do país. Entre os avanços recentes, destacam-se a consolidação de protocolos laboratoriais mais eficientes e as discussões técnicas realizadas em conjunto com instituições como Fiocruz (PR), Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR), Hospital da Criança de Brasília José Alencar (DF), Instituto Nacional de Câncer (RJ) e Universidade Federal do Pará (PA). 

“Essa iniciativa tem grande relevância para a Universidade, que assume a liderança em estudos multicêntricos de alto impacto. Além de ampliar a visibilidade da UFPR no cenário científico nacional, o projeto atrai recursos de pesquisa e impulsiona o desenvolvimento tecnológico na instituição”, destacou.

Por Brenda Liliane / UFPR.

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